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Depois do Carnaval, Hora de Pensar

24/02/2012

Depois de passar cerca de um mês envolvido tanto física, ao andar por horas pelas ruas e bairros de minha cidade, que eu mal conheço, e de me perder pelo menos duas vezes, quanto emocionalmente, digitando textos e me estressando com a dificuldade de se encarar de fato a tal Administração Pública, resolvi me expressar com esta síntese, um tanto informal, de uma parte do conhecimento adquirido e do meu senso crítico.

 
Percebe-se, ao andar por alguns bairros do município e separando uns poucos minutos de seu tempo corrido para conversar com os habitantes dessas localidades esquecidas pelo poder público, o quanto de exaustão há nestas pessoas, seja por conta de um esgoto fétido cortando pela rua e por um rato em estado de decomposição próximo a tal água imunda, seja pelas ruas esburacadas e pelas calçadas desniveladas, seja pela falta de espaços verdes para seus filhos brincarem sem preocupações, ou seja, simplesmente, pelo fato de a prefeitura se encontrar a menos de 200 metros dali.

 

“Mas são problemas generalizados! É assim por todo o país…” dizem uns. “E quanto àquela máxima que ‘para todo problema há uma solução’?” pergunto eu; tanto tempo se passou desde a redemocratização do país e do Plano Real e uma única solução não foi encontrada. Saber que um esgoto correndo a céu aberto é um erro, que o lixo tem que ser retirado e que obras de grande porte precisam ser feitas para melhoria, por exemplo, de ruas e, diga-se, do canal, todos sabem. Porém, quem é o encarregado dessas benfeitorias, a quem recorrer nessas horas? Às esferas municipal, estadual ou federal? “E agora, quem irá nos defender?” pergunta a vítima, mas os heróis dos quadrinhos não estão à solta por aí. É uma pena, mas nós somos nada mais que humanos. Todavia, para não correr o risco de ser ingênuo, é preciso admitir que aquela vítima também tem sua parcela de culpa, ao jogar lixo nas ruas, em bueiros, no canal, ao construir de maneira ilegal, ao ser omisso e não cobrar seus direitos, ao não aprender com os erros cometidos no passado, enfim. Neste filme fica difícil distinguir quem é o mocinho e quem é o vilão.

 
Muito se tem falado da ascensão do Brasil como 6ª potência econômica mundial e, conseqüentemente, das novas portas comerciais que se abrem para este novo gigante emergente, contudo ao ser feita uma análise apurada, menos encantada e mais crítica, pode-se perceber que o mesmo país que quer ter presença atuante nas problemáticas internacionais, passando a imagem de “educador ríspido” que conseguiu se erguer e tornar-se um modelo para os demais, na realidade, infelizmente, não consegue atender as necessidades mais básicas de bem-estar, de qualidade de vida, do seu próprio povo. Se você não quer se comprometer andado e constatando pelas ruas, basta procurar o IDH do país e compara-lo com o PIB para se assustar com o abismo que há entre os dois. Ainda mais: tem muita gente empregada nos mais diversos setores públicos, mas fica aquela sensação de inércia, é muito para pouca coisa: são mais de 25 mil cargos públicos indicados direta ou indiretamente pelo chefe do Executivo; na Inglaterra, esse número quase não supera 100 destes. Precisa-se atender ao princípio da meritocracia, onde os méritos pertencem a quem se esforçou para tanto.

Logo, vê-se a disparidade tamanha da imagem fictícia e da imagem real do Brasil. A conclusão, a senso comum, que nos resta, alunos de Direito e demais cidadãos, é batalhar para mudar tal realidade e manter a esperança, que é a última que morre, no nosso povo e na nossa terra.

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