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Verdades Ignorantes

26/01/2011
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Oito horas de qualquer manhã, infelizmente acordo mais uma vez. Tantas vezes rezei, implorei e até mesmo xinguei pra não mais acordar! Meus pés descalços não saem da cama, encolhidos como um frágil animal ameaçado. Meus olhos já não abrem, não para ver o claro que um dia iluminou a pessoa que amei, não pra sentir a poluição que um dia respirei, não pra ouvir as mentiras que um dia eu acreditei. Meu coração parou por alguns segundos, ele ficou frio como uma pequena pedra congelada no vazio, não era amor nem muito menos dor.

Sonhava desde menino, um dia exibir todas minhas glórias. A única coisa que quero agora é ir embora, desse mundo tão mesquinho, por que uma vez ouvir em algum lugar: “que pra quem não é importante é bem melhor sonhar do que conseguir”. Agora faço de conta que o mundo parou, e tempo devagar nunca passou, embora as rugas e marcas cravadas no meu rosto me desmintam nitidamente.

Choro noites após noites clamando a devastação, eu já perdi o medo da dama fúnebre, e hoje quero beijá-la loucamente seus dentes arrastando-se nos meus, suas língua penetra em minha boca como uma asquerosa serpente, suas mão entrando no meu peito, a procura do meu coração e acabando com as últimas batidas, como se parassem um relógio, o desejo de ver os ponteiros se mexerem já não são maiores de vê-los destruídos, as músicas entram pelo os meus tímpanos como milhares de vozes num uivo frenético, meus pulmões se inflam de ar quem sabe pela última vez…

Ah! Estou morrendo, ou quem sabe enlouquecendo. Dentro deste quarto, na minha falsa noite, meus remédios já não fazem mais efeitos, minha dor insuportável de um câncer incurável, já não me fazem chorar. Estou a ponto de fazer rir todos os amargurados sentados no balcão do velho bar que eu ia para esquecer que um dia existir. Diferente dos livrinhos da escola, o patinho feio quando cresceu não virou um belo cisne e nem todos alcançam um lugar melhor com um final feliz! E nem pensem em chorar por mim, já faz muitos anos que realmente morri.

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2 Comentários leave one →
  1. Nara permalink
    15/02/2011 09:06

    No filme “O escafandro e a borboleta” vc tira a lição, lembrando que nem todos tiram alguma lição, de que a pior morte é a em vida, e que se vc tiver imaginação, esperança e força para viver, não importa em que estado organísmico vc se encontre, em que lugar, se num leito de hospital, se de frente ao mar, de aprisionado, enclausurado na gaiola do próprio corpo, e VIDA é possivel de ser vivida…mais quando não há sentido nem pra dor que se tem…o fim chega antes do que é capaz de perceber!!!
    Parabéns…

  2. O'hanna permalink
    26/01/2011 13:25

    Nossaaa, que bommm que postaram no blog de novo. tava com saudades de ler ;D
    AMEIII o texto,muito intenso,verdadeiro tbm…esse texto me tocou um pouco como auto0-defesaa ,sei la…sempre que venho aqui,encontro uma coisa que eu nuuunca quero deixar morrer,que é a capacidade de me surpreender.
    lucas, parabéns.. otimo texto ;D

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